Do código ao emprego: primeira turma do ‘Educar para o Futuro’ conclui curso e quebra ciclo de desemprego em Luanda

Era uma manhã de sexta-feira comum no escritório de uma startup de fintech em Luanda, mas para o Matias, 19 anos, aquele era o dia mais importante de sua vida. Vestindo uma camisa social nova, ele iniciava seu primeiro dia como estagiário desenvolvedor júnior. Matias é um dos 50 jovens que formaram a primeira turma do projeto “Educar para o Futuro”, uma iniciativa ousada da SomarAngola em parceria com a empresa angolana de tecnologia “InovTech”. Durante seis meses intensivos, os jovens, todos oriundos de bairros periféricos de Luanda e selecionados por potencial e situação de vulnerabilidade social, mergulharam em uma carga horária de 800 horas de aulas de lógica de programação, Python, JavaScript, banco de dados e desenvolvimento web. O currículo, desenhado em conjunto com o mercado, tinha um objetivo claro: empregabilidade. “Nosso maior desafio não era técnico, era psicológico. Tivemos que trabalhar a autoconfiança, a resiliência e as soft skills desses jovens, que nunca haviam pisado em um ambiente corporativo”, explica a gestora do projeto, Isabel Neto. O resultado superou todas as expectativas: 70% dos formandos (35 jovens) já estão empregados com carteira assinada ou em estágios remunerados em empresas do setor. Os outros 30% estão em processo seletivo avançado ou desenvolvendo projetos próprios incubados pela SomarAngola. A formatura, ocorrida no mês passado, teve a presença de CEOs de empresas de TI, que já garantiram o financiamento para a segunda turma, que começará com 75 vagas e se estenderá para a província de Benguela. “Eles não só me deram um código, me deram um futuro”, disse Matias, emocionado, durante seu discurso de formatura.
Mais que consultas: mutirão de saúde da SomarAngola em Benguela vira dia de festa e cidadania

O campo de futebol do bairro do São Filipe, em Benguela, se transformou, no último sábado, em um grande hospital de campanha e palco de uma verdadeira celebração da vida. O mutirão de saúde “Benguela Mais Saudável”, organizado pela SomarAngola em parceria com a Ordem dos Médicos de Angola e a Faculdade de Medicina da Universidade Katyavala Bwila, foi um esforço colossal que mobilizou 52 profissionais voluntários, entre médicos generalistas e especialistas (pediatras, ginecologistas, dermatologistas), 30 enfermeiros e 80 estudantes de medicina. Das 8h ao pôr do sol, uma fila ordenada e animada – onde não faltaram músicas e animadores – deu lugar a atendimentos individuais. Foram realizadas 842 consultas médicas, com foco em hipertensão arterial e diabetes, doenças silenciosas e muito prevalentes na região. Foram aferidas mais de 1.000 pressões arteriais e realizados 600 testes rápidos de glicemia. Um posto avançado do Ministério da Saúde aplicou 350 doses de vacinas, incluindo contra a COVID-19, tétano e sarampo. O diferencial deste mutirão foi o componente de “rastreio com encaminhamento garantido”. Foram identificados 12 casos de suspeita de catarata que foram agendados para cirurgia gratuita em um hospital parceiro, e 8 mulheres com alterações no exame preventivo do colo do útero receberam acompanhamento imediato. “Isso vai além da caridade pontual. É um sistema de saúde complementar, inteligente e que salva vidas”, afirmou o Dr. Jorge Paciência, coordenador médico da ação. A ação contou com uma tenda especial para as crianças, com atividades lúdicas sobre lavagem das mãos, e distribuição de 500 kits de higiene bucal.
Da fazenda à mesa: campanha ‘Angola sem Fome’ supera meta e leva alívio concreto ao Cunene e Huíla

Diante do cenário crítico de insegurança alimentar agravado por ciclos prolongados de seca no sul de Angola, a SomarAngola lançou a operação de logística humanitária mais complexa de sua história. A campanha “Angola sem Fome” não se limitou a comprar e distribuir alimentos, mas criou um circuito virtuoso de solidariedade. Em parceria direta com cooperativas de agricultores familiares das províncias do Planalto Central (Huambo e Bié), a organização adquiriu mais de 10 toneladas de produtos frescos e não perecíveis – milho, feijão, mandioca, abóbora e batata-doce – injetando recursos diretamente na economia local. Paralelamente, uma vaquinha online nacional arrecadou fundos para a compra de óleo, sal, açúcar e kits de higiene (sabão, pasta de dente e absorventes femininos, um item de necessidade crítica). A logística envolveu uma frota de 8 camões fretados e a autorização especial da Proteção Civil para trânsito em estradas degradadas. A distribuição, realizada durante uma semana em pontos estratégicos das comunas mais remotas do Cunene e da Huíla, foi organizada com listas pré-cadastradas pelas sobas (autoridades tradicionais) para garantir equidade. “Recebi minha cesta há três dias. O feijão já está cozinhando para o jantar dos meus netos. Agora temos força para esperar pelas próximas chuvas”, compartilhou o senhor Eduardo Caholo, de 68 anos, da comuna do Curoca. A campanha, que beneficiou diretamente 2.300 pessoas, incluiu também sessões educativas sobre nutrição e conservação de água. A SomarAngola já inicia o planejamento para a segunda fase, que incluirá a perfuração de dois poços artesianos.
SomarAngola inaugura centro comunitário ‘Mãos Unidas’ no Kilamba, Luanda: um novo lar para a esperança

Em uma cerimônia emocionante que reuniu líderes comunitários, representantes do governo local e dezenas de famílias beneficiárias, a SomarAngola inaugurou oficialmente o Centro Comunitário “Mãos Unidas”, no bairro do Kilamba, em Luanda. O espaço, que ocupa uma área de 1.200 metros quadrados, é a materialização de dois anos de planejamento e arrecadação de fundos, totalmente financiado por doações de angolanos solidários e uma parceria estratégica com uma fundação europeia. O centro foi projetado para ser um polo de transformação social, oferecendo serviços gratuitos em três pilares fundamentais: educação, profissionalização e bem-estar psicossocial. Na ala educacional, mais de 200 crianças e adolescentes terão acesso a salas de aula equipadas para reforço escolar em português e matemática, além de um laboratório de informática com 20 computadores novos. No pilar de capacitação, cursos profissionalizantes de eletricidade básica, costura, culinária e atendimento ao cliente já têm lista de espera. “Aqui, não damos apenas o peixe, ensinamos a pescar e construímos a lagoa juntos”, declarou a diretora-executiva da SomarAngola, Maria de Lourdes Kiala, durante seu discurso. O terceiro pilar, talvez o mais inovador, é a “Sala do Cuidar”, Onde psicólogos e assistentes sociais oferecerão apoio individual e em grupo para lidar com traumas, ansiedade e desafios familiares, um serviço ainda raro em projetos sociais no país. A meta é atender diretamente mais de 500 famílias nos próximos 12 meses, com a perspectiva de replicar o modelo em outras províncias. O centro também abrigará uma pequena biblioteca comunitária e uma horta vertical, para ensinar práticas de agricultura urbana sustentável.